domingo, março 12, 2006

Manifesto Pró-Amor

5 Março a 12 de Março. Este foi a semana que mudou a minha vida. A semana de transição que alterou por completo o sentido dos meus passos. Como poucos sabem estive engripado durante este período, mas a doença mudou a minha maneira de ver as coisas. Nunca pensei que uma gripe tivesse esse poder. Mas teve sobre mim. Talvez por não estar acostumado a ficar doente. Estar preso em casa durante vários dias, sem forças nem vontade de sair não está, definitivamente na minha natureza. E ser obrigado a manter o corpo, os sentidos e a mente num estado próximo da hibernação muito menos.

Não foi apenas uma doença. Foi uma revelação e, em muitos sentidos, uma autêntica benção. Parece uma coisa inocente, mas fui obrigado a rever a minha espiritualidade, a minha relação com Deus e também com os outros, principalmente com aqueles que me são mais próximos. Muitas vezes fui agressivo e distante do alto das minhas faculdades e, de repente, deitado na cama, enquanto percebia o quão fraco é o corpo humano, tomei consciência das injustiças que cometi, por simples e puro egoísmo, quando tudo o que importa é o amor. O amor que Deus oferece a todos sem pedir nada em troca. Apenas que imitemos o seu exemplo. Mas não temos provas da existência de Deus? A satisfação que retiramos de cada acto de amor, tolerância e compreensão que praticamos é a prova suficiente de que ele está sempre lá.

Por outro lado, o amor. Todos já o sentimos por “alguém” muito especial. Hoje é um dia muito especial para esse meu “alguém” que partiu há algum tempo por minha culpa. Mas estou muito feliz por ela. No entanto, é estranho para mim ter a certeza que ela era a mulher da minha vida e eu simplesmente mandei-a embora como se não fosse nada. Mas como Deus está demasiado ocupado para conceder segundas oportunidades só me resta continuar a torcer por ela e a desejar-lhe toda a felicidade do mundo. Porque ela merece. Mais do que ninguém. Sim, és tu. É engraçado como durante alguns anos nunca equacionei sequer a hipótese de nos podermos dar tão bem, quanto mais de seres a mulher da minha vida. Tanto tempo que perdemos sem trocarmos uma única palavra... Mas já não podemos voltar atrás. Agora estamos distantes apesar de querermos estar juntos. A braços com sentimentos diferentes que me parecem tão anti-natura, apenas uma desculpa para esquecer como as nossas almas encaixam na perfeição...